29 junho 2016

Palavras Soltas - Constatações

Oi gente! 
Voltei e o post de hoje é uma mini poesia que amei... vem muitas postagens boas por aí e a continuação da série de postagens sobre os filmes que me encantaram! 
Espero que gostam. Beijos! 
Constatações: 
Nem tudo que reluz, é precioso.
Nem tudo que queima, é fogo.
Nem toda lágrima, é de tristeza.
Nem toda promessa, é certeza.

Nem todo sorriso, é de verdade.
Nem tudo que o que se vê, é realidade.
Nem todo ódio dura para sempre.
Nem todo "Eu te amo"... é amor realmente.

L.M. Costa

01 junho 2016

Eu Li #51 * Os Bebês de Auschwitz - Wendy Holden

Olá!

Como alguns de vocês já viram, postei AS MELHORES LEITURAS DO TRIMESTRE e prometi as 5 resenhas para vocês. Pois bem, aqui está a última dessa lista.
Estou escrevendo várias coisas ao mesmo tempo, e resolvi voltar a escrever o meu livro e me concentrar também nos meus textos, estudar para concursos e escrever alguns artigos, ou seja, minha cabeça está soltando fumaça e hibernando nos outros momentos. rsrs.
Aproveito para convidar vocês a seguir o blog no INSTAGRAM, tem muita coisa legal por lá! É @blogpensamentoad 
Espero que aproveitem a dica e curtam a resenha, vamos lá?

R$ 30,70 até R$ 105,22
SINOPSE:
Em 1944, Priska, Rachel e Hanka chegaram a Auschwitz determinadas a sobreviver e a defender a vida dos bebês que levavam em seus ventres. Em Os bebês de Auschwitz, Wendy Holden narra as histórias dessas jovens judias que resistiram bravamente ao horror dos campos de concentração e aos trabalhos forçados na esperança de conhecerem seus filhos. Além de investigar o passado, Holden acompanhou o reencontro de Eva, Mark e Hana, os três sobreviventes nascidos dentro das instalações nazistas.
Holden equilibra a pesquisa rigorosa e a escrita sensível para reconstituir as vidas de Priska, Rachel e Anka antes de 1938, quando Hitler começou a impor restrições aos judeus. Entre o medo do avanço Reich e a esperança pelo fim da guerra, essas mulheres viveram seus primeiros amores, se casaram e sonharam com o futuro de suas famílias apesar do futuro sombrio que se desenhava.
Priska e Tibor, Rachel e Monik, e Hanka e Bernd fizeram tudo ao seu alcance para permanecerem juntos, mas com a deportação para Auschwitz-Birkenau os casais foram separados. Cada uma das mulheres se viu responsável por lutar por sua vida e pela de seu bebê. Elas receberam caridades inesperadas, foram vistas com desconfiança e testemunharam o melhor e pior do que o ser humano é capaz.
Wendy Holden recorreu a entrevistas, cartas e diários, criando um relato comovente, que detalha a eficiência com a qual os nazistas exterminaram milhares de judeus e mostra como pequenos gestos de solidariedade permitiram que várias vidas fossem salvas. Mais que um relato sobre o horror da guerra, Os bebês de Auschwitz é narrativa impressionante sobre o amor materno, a persistência, a coragem e a gratidão.

MEU COMENTÁRIO:

O livro, discorre acerca da vida de três mulheres judias e sua luta pela sobrevivência em meio ao mundo hostil durante a Segunda Guerra Mundial, para salvar os seus bebês. Um mundo em que o fato de serem quem eram e de existirem, era "pecado" o suficiente para os mais inumanos castigos e degradações constantes.
Relato de histórias reais, o livro nos choca diante das informações e da constatação de que tudo o que pensamos sobre a guerra e o Nazismo, pode ser ainda pior. Os crimes contra seres humanos são chocantes e cada cena e acontecimento da vida dessas mulheres, narrados aqui nos aponta uma realidade cruel e desumana. Durante  leitura também conhecemos pessoas que em sua pouca possibilidade diante das autoridades alemãs tentaram fazer a diferença ajudando os judeus, e com certeza contribuíram para que fosse possível a sobrevivência dos três bebês.
O livro conta a trajetória de três mulheres durante os anos pré (suas famílias, bens, status social, casamento), durante (os campos de concentração, guetos e castigos infligidos) e pós guerra( a libertação, e a vida após os anos de guerra). Focando-se no tempo em que viveram nos campos de concentração e na situação vivida pela maioria dos judeus diante da barbárie do holocausto.
As "protagonistas" dessa história cruel são: Priska, Rachel e Anka, mulheres jovens, comuns, com uma família, boa situação social e econômica que viviam felizes até as novas leis antissemitas começarem a afetar as suas vidas de forma irremediável.
Nessa narrativa incrível feita pela Wendy Holden, percebemos o quanto foi necessária uma pesquisa profunda e uma grande delicadeza para lidar com o que é mais do que uma parte da história... Trata-se de uma história de família, de todo um povo e da injustiça cometida contra eles. Para tornar esse livro possível foram necessárias entrevistas, anos de trabalho e uma grande vontade de tornar conhecida histórias tão sofridas e que tal como a de todos os judeus, não deve ser esquecida.
As minhas doses dessa leitura tão profunda e emocionante, foram homeopáticas e repletas de sentimento. Quem me acompanha sabe que costumo ler livros do tema, e confesso que me sinto cada vez mais tocada pelas histórias e mais reflexiva e revoltada diante das maldades cometidas naquela época. 
As três mães lutaram de forma heróica contra coisas que, se não fosse o amor tamanho que sentiam por seus filhos e consequentemente a vontade de sobreviver, jamais poderiam vencer, a fome, o frio, a crueldade dos castigos, a dor de perderem a família e seus companheiros, dos quais foram separadas ao serem deportados para Auschwitz- Birkenau.
Hoje, os bebês são amigos, quase irmãos pois foram unidos por muito mais do que uma data de nascimento próxima. Foram unidos pelo amor que venceu a maldade, pela força que rompeu as barreiras do preconceito, pela vida.
Para mim, é realmente difícil traduzir em uma resenha tudo o que senti lendo essa história, já que nesse caso estaria tentando traduzir em palavras os percalços e as injustiças que afetaram a vida dessas pessoas, de uma forma a qual ninguém deveria ser afetado. Por isso não me prolongarei. 
Li sobre a maldade em sua essência: humanos que destroem outros em nome de leis e ideologias doentias e essa constatação, a certeza da capacidade humana de não praticar a "humanidade", me fez pensar que a maldade é uma das únicas coisas que perduram em nossa raça... O que nos "salva" é que o amor é uma semente feita para terras áridas e sobrevive muitas vezes em condições inclementes. Assim foi a sobrevivência de Priska, Rachel e Anka... Sem família, sem direito a seus bens, e sem dignidade. Ali, apenas o amor sobreviveu.
A editora GloboLivros fez um excelente trabalho, edição do livro é linda com uma foto que mostra um campo, com arame farpado e as duas mãos (de um adulto e de um bebê) se segurando. A diagramação está ótima, as folhas amarelas que tornam a leitura confortável e as fotos de arquivos pessoais enriqueceram grandemente essa história que que já possui uma grandeza própria, em meio a todas histórias de vida e exemplos de garra e superação diante da maior barbárie de todos os tempos.
Mães: Priska, Rachel e Anka/ Filhos (os bebês): Eva, Mark e Hana.
~~~~~~*~~~~~~*~~~~~~
Bom gente, é isso. O que acharam desse livro? Já leram, leriam? Me contem!
Beijos!

27 maio 2016

ESPECIAL - Filmes que me encantaram (Part 1 - Fotografia e estilo)

Oi gente! 
Inicio hoje uma série de postagens especiais chamada "FILMES QUE ME ENCANTARAM" aonde eu vou mostrar em poucas palavras (vou tentar, rsrs)  porquê escolhi tais filmes para minha lista. Lembrando que, para que as listas não fiquem longas, colocarei apenas os principais (para mim) em cada categoria, mas é claro que alguns se encaixarão em mais de uma categoria, e quando isso acontecer, colocarei uma observação... Espero não esquecer nenhum que eu ame demais! kkkk.
A categoria de hoje, é fotografia e estilo e  sobre isso eu tenho a dizer o seguinte: tenho um gosto bem peculiar sobre o estilo e fotografia que chamam a minha atenção em uma produção. Não sou nem um pouco especialista em cinema, mas amo luz tênue, sabe aquele filme que parece sempre no filtro pôr-do-sol? Então, esse! Gosto da suavização e delicadeza que isso traz para a produção. Além disso, gosto de cores e jogos de câmera surpreendentes e espontâneos. É isso, espero que gostem muito das indicações.

 1- O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN (NOTA 5/5)
SINOPSE:
Após deixar a vida de subúrbio que levava com a família, a inocente Amélie (Audrey Tautou) muda-se para o bairro parisiense de Montmartre, onde começa a trabalhar como garçonete.
Certo dia encontra uma caixa escondida no banheiro de sua casa e, pensando que pertencesse ao antigo morador, decide procurá-lo ­ e é assim que encontra Dominique (Maurice Bénichou).
Ao ver que ele chora de alegria ao reaver o seu objeto, a moça fica impressionada e adquire uma nova visão do mundo.
Então, a partir de pequenos gestos, ela passa a ajudar as pessoas que a rodeiam, vendo nisto um novo sentido para sua existência.
Contudo, ainda sente falta de um grande amor.
INFORMAÇÕES: Direção: Jean-Pierre Jeunet/ Ano: 2001/ Duração: 122 min./ Class.: 14 anos.
MEU COMENTÁRIO: Amo a fotografia e o estilo super poético e diferente desse filme. As cores intensas, o tipo de narração que por vezes acaba substituindo satisfatoriamente  os diálogos entre os personagens.
Trata-se de uma história com personagens excêntricos, mas apaixonantes. Cenas completamente inesperadas e bem-humoradas. É o tipo de filme, peculiar/exuberante/simples que simplesmente te capturam completamente. E eu me identifico taaanto com a Amélie! <3 br="">
O jogo de câmeras são muito legais e as imagens, luz e cores são muito singulares e belíssimas. Por isso, sempre que posso, assisto esse filme para me admirar com essa produção tão delicada. Ah, e gosto muito da Audrey Tautou (Amélie) e da sutileza dela durante as interpretações. Super indico... Esse filme é um dos preferidos!
~~~~~~~~~*~~~~~~~~~~ 
2- TOAST - A HISTÓRIA DE UMA CRIANÇA COM FOME (NOTA 3/5)
SINOPSE: Baseado na biografia do chef Nigel Slater, Toast é situada na década de 1960, e acompanha a vida de um rapaz que, ao perder a mãe, enfrenta dificuldades de se relacionar com o pai e a madrasta, buscando na culinária uma forma de se expressar e superar as dificuldades.
INFORMAÇÕES:  Direção: S.J. Clarkson/ Ano: 2010/ Duração: 90 min.
MEU COMENTÁRIO: Bom, esse filme deixou uma impressão dúbia em mim em relação à ter gostado ou não. Porém, entra nessa lista por causa da sua qualidade visual e sua fotografia cálida e lindíssima.
Com atores como Helena Bonhan Carter (maravilhosa) e Freddie Highmore, é um filme com uma premissa muito simples, mas que conquista muito mais pela qualidade das cenas do que do enredo, na minha opinião. Vale a pena assistir despretensiosamente a essa história de descobertas. Ah, e é baseada na biografia do Chef Nigel Slater e só não entrou nas biografias porque o que me chamou a atenção foi o estilo e a fotografia mesmo.
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3- A VIDA SECRETA DAS ABELHAS (NOTA 4/5)
SINOPSE: A história se passa nos anos 60, no Sul dos Estados Unidos, e conta a história da adolescente Lily Owens (Dakota Fanning) de 14 anos e a amiga Rosaleen (Jennifer Hudson) que fogem da dura criação para descobrir o que aconteceu com a mãe de Lily.
No caminho, elas conhecem três irmãs criadoras de abelhas que as conduzem por uma jornada inesquecível.
INFORMAÇÕES: Direção: Gina Prince-Bythewood/ Ano: 2008/ Duração: 114 min.
MEU COMENTÁRIO: Esse é um filme que também me dividiu. Mas meditando bem em toda sua carga emocional e sua denúncia em relação à segregação racial que naquela época nos EUA.
A fotografia do filme é linda e leve e atua como um contraponto que equilibra a trama e empresta leveza diante de cenas que são naturalmente pesadas seja em relação à tristeza, preconceito ou violência. Esse é um livro sentimental desde o enredo, até a ambientação. Lindo.
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4- UMA VIAGEM ESTRAORDINÁRIA (NOTA 3/5)
SINOPSE: Aos dez anos de idade, T.S. Spivet é um garoto superdotado, apaixonado por cartografia. Quando ele ganha um prêmio científico prestigioso, o garoto decide abandonar sua família em Montana para atravessar sozinho aos Estados Unidos, até chegar a Washington. O único problema é que o júri não sabe que o vencedor ainda é uma criança.
INFORMAÇÕES: Direção: Jean-Pierre Jeunet/ Ano: 2013/ Duração: 105 min./ Class.: 10 anos.
MEU COMENTÁRIO: Acabei de descobrir que o meu caso é amar os filmes do diretor Jean-Pierre Jeunet (preciso ver os outros para confirma isso!). Esse filme é narrado pelo T.S. Spivet, o narrador personagem, o menininho do banner aí do lado e possui um enredo fofo na minha opinião.
A fotografia é linda, especialmente na parte que se passa no campo e os personagens são excêntricos e clássicos ao mesmo tempo. A nota geral da trama não é tão alta por não ter sido excepcional para mim, mas no fim, o filme trás uma lição e nos brinda com boas cenas e atores como Helena Bonham Carter.
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UM OLHAR DO PARAÍSO (NOTA 4/5)
SINOPSE: Em dezembro de 1973, Susie Salmon voltava da escola para casa quando foi assassinada. Ela tinha apenas 14 anos. Depois de morta, Susie continua a velar por sua família – enquanto seu assassino permanece solto. Presa em um extraordinário, ainda que misterioso, espaço entre a Terra e o Céu a menina descobre que precisa escolher entre a busca por vingança e o desejo de ver seus amados seguirem em frente. O que tem início como um chocante homicídio leva a uma jornada visualmente criativa e repleta de suspense que, através dos laços de memória, amor e esperança, segue em direção a um desfecho surpreendente e emotivo.
INFORMAÇÕES: Direção: Peter Jackson/ Ano: 2009/ Duração: 135 min. / Class.: 14 anos.
MEU COMENTÁRIO: Esse, apesar de ser um filme angustiante e quase todos os aspectos, não o é em relação à fotografia, que apesar de um certo exagero nas produções gráficas, tem cenas grandiosas... daquelas de te deixar com os olhos grudados e atenção completamente focada.
O filme é um suspense denso e cruel, e acredito que as muitas cenas do "paraíso" foram pensadas de forma a atuar além de parte real do enredo, como um atenuante no clima pesado do filme. As imagens são lindíssimas.
Informações via: Filmow

Bom gente, espero que tenham gostado do post e aguardem que em breve teremos outras partes! Me digam aí, já viram algum desses filmes? O que acharam?
Beijos!

24 maio 2016

TAG - Situações literárias

Oi gente!
Vamos de TAG hoje? Essa eu vi no blog SEMPRE ROMÂNTICA, e como ela, não sei quem criou a tag! Como gosto muito de TAG's resolvi responder essa e espero que gostem! Vamos lá?
1 - Você precisa se desfazer de quase todos os seus livros e só pode ficar com um exemplar de cada um desses gêneros: contemporâneo, fantasia, não-ficção e um gênero de sua escolha. Faça sua lista.

Essa história de me desfazer dos meus livros é pura maldade mas... vamos lá: 
  • Contemporâneo: A Menina que Roubava Livros - Markus Zusak
  • Fantasia: Harry Potter (Não tenho condições de decidir qual :'( )
  • Não-ficção: O Diário de Anne Frank
  • Gênero da minha escolha - Romance: A Sombra do Vento - Carlos Ruiz Zafón

2 - Você está em uma livraria e escuta uma adolescente dizer a sua mãe que não gosta de ler, mas a mãe insiste para que ela escolha algo. Você aparece e recomenda algo para quem não lê muito. Que livro você recomendaria?

Eu indicaria algo da Thalita Rebouças por ser uma autora maravilhosa e com uma linguagem super descolada e juvenil, ideal para quem quer ler algo leve, bem humorado e bem escrito, ou seja, muito bom para quem começa!

3 - Você não está bem e está tendo um mal dia e precisa de algo que te anime. O que você lê nesses casos?

Ler, de um modo geral já me anima demais! Mas um livro com um pouco de comédia é bem vindo, um chik-lit, ou algo assim.

4 - Volte a sua adolescência por um dia. Que livro você está lendo? 
A marca de uma lágrima do grande Pedro Bandeira! Li e reli muitas vezes durante a adolescência.

5 - Um amigo te surpreende com quatro dias de férias e você tem uma hora pra preparar as malas. Que livro você levaria para a viagem?

O livro que estou lendo agora (O PINTASSILGO) e algum outro na minha lista. Ou apenas o meu LEV com vários para eu escolher... hehe.
 

6 - Roubaram sua casa! Mas, não se preocupe porque tudo está bem. Exceto a sua estante, que eles deixaram praticamente vazia. Que livro você espera encontrar intacto na estante enquanto corre para conferir o que está faltando? 

Meu Box de JOGOS VORAZES que foi presente e os meus livros nacionais autografados! <3 span="">

7 - Um amigo te pede emprestado um livro e devolve em péssimas condições. Explique.
A - Não se importa muito com o ocorrido.
B - Pede que ele te compre outro exemplar.
C - Destrói um dos livros do seu amigo secretamente.

Letra B com certeza! Apesar de achar que ninguém teria coragem de destruir um livro meu... só acho. kkk.

Quem gostou da TAG? 
Indico essa a todos os que quiserem responder. Quero conhecê-los melhor!
Beijos!

20 maio 2016

Eu Li #50 * O Rouxinol - Kristin Hannah

Olá Pensadores!

Eu estou louca para por um sorteio no ar mas estou tão atarefada (e ainda estão surgindo mais afazeres, rsrsrs) que não tenho tido tempo para organizar. Mas fiquem tranquilos que logo, logo conseguirei me organizar melhor!
O EU LI de hoje é sobre um livro que também está na lista de MELHORES DO TRIMESTRE e tem uma história forte e maravilhosa!
Vamos lá?
R$ 23,72 até R$ 37,90

MEU COMENTÁRIO

Profundo. Intenso. Real.
É assim que começo descrevendo "O Rouxinol", que não é apenas mais um livro de ficção sobre a Segunda Guerra Mundial. É UM DOS MELHORES QUE JÁ LI! 
 "Feridas cicatrizam. O amor perdura."
Ambientado em sua maior parte na França (Paris e Carriveau, tendo cenas menores ambientadas em outros países), seguindo a linha de Segunda Guerra Mundial, envolvendo o antissemitismo e a resistência, O Rouxinol é apaixonante, e mesmo sendo um romance, é eletrizante! Nada parado ou meloso, a trama se reveza entre os rumos que as irmãs Vianne Mauriac e Isabelle Rossignol tomam durante a guerra, porém história é muito mais que isso! Envolve mágoas, coragem e amor. Mas são realmente as escolhas e ideologias que definem a trama. 
Vianne é uma mulher forte porém cautelosa, afinal tem uma filha para cuidar já que o marido foi convocado para lutar na guerra, ou seja, está sozinha... para proteger-se usa a defesa como ataque e mesmo não concordando com o que acontece ao seu redor, toma diversas decisões questionáveis (porém compreensíveis) por medo ou até mesmo por inocência; por muitas vezes omitindo-se diante de várias situações, assim como várias pessoas naquela época. Mas as agruras as quais ela será submetida realmente a transformará para sempre. 
Já Isabelle é impetuosa, inconsequente e por ter tido uma infância bastante solitária em diversos internatos aonde esteve desde a morte da mãe quando era muito pequena e o pai não assumiu a tarefa de cuidar das duas irmãs, estando sempre distante emocionalmente, tornou-se carente e intempestiva. O desenvolvimento da personagem no decorrer da história é admirável. Vi a menina birrenta e precipitada tranformar-se em uma mulher intensa, perigosamente corajosa e mais condizente com as lutas e ideais aos quais se propunha, ainda que por vezes as decisões que tomava tenham sido egoístas em relação à ela e à família para que pudesse alcançar um resultado maior diante do momento em questão: A guerra.
O início da história mostra uma senhora e como está a sua vida (em 1995), revelando-nos a sua identidade apenas no fim do livro. Essa personagem nos conta sobre estar doente e idosa, devaneia sobre sua vida durante a guerra e sobre a família nada saber sobre isso.
Diante das lembranças de tal personagem somos levados a conhecer a história completa, em capítulos narrados em terceira pessoa e que se dividem entre Vianne e Isabelle, mostrando as suas jornadas durante o período da guerra, como estradas que bifurcam-se e unem-se, as vidas das duas irmãs se entrelaçam e separam constantemente durante a história, física e factualmente, e  emocionalmente.

Enquanto, Vianne é obrigada a hospedar um oficial nazista em sua casa, (e é assim que muitas coisas começam a acontecer), Isabelle aborrecida com o que ela acha ser um erro e uma traição da irmã, por acidente (mas muito feliz por isso) se vê ajudando a resistência francesa e resolve ir embora para poder ajudar mais a rede rebelde. Aqui o livro começa de verdade.
Diante das escolhas, erros cometidos e a falta do marido Vianne, segue sua vida cada vez mais difícil porém não insuportável, já que o oficial ao qual ela hospeda parece ser "mais humano do que nazista" (pelo menos em sua presença). Já Isabelle, de volta à casa do pai em Paris, está cada vez mais envolvida com a vida clandestina e inicia o que virá a ser uma façanha conhecida por todos após a guerra... Nasce o Rouxinol. 
Nesse ponto suas vidas se reencontram e se transformam para sempre. Muitas revelações serão feitas, muitas tragédias e acontecimentos decisivos definirão o rumo de cada personagem e da trama em si. É realmente impossível não se contagiar e sofrer diante das cenas e não se surpreender diante das ações das irmãs que nos provam que diante de tantas divergências são mais parecidas do que pensam e tem um grande amor uma pela outra e pelo que acreditam, e isso, mais tarde percebemos, ambas herdaram do pai.
"Se há uma coisa que aprendi nesta minha longa vida foi o seguinte: no amor, nós descobrimos quem desejamos ser; na guerra, descobrimos quem somos."
A linha de acontecimentos do livro é bem delineada, desde o início da guerra com a convocação do marido de Vianne, o exôdo forçado dos Parisienses por conta da invasão alemã, (fato que tem muita importância já que é nessa caminhada que Isabelle encontra o amor, no rebelde Gaeton, porém esse romance é quase impossível e um dos pontos mais emocionantes na história, pela forma como foi construído e exposto.) o início da perseguição aos judeus (as estrelas de Davi para identificação, as demissões, e por fim as deportações para campos de concentração), as cotas injustas que faziam os cidadãos passarem fome, os "saques" aos bens dos moradores disfarçados de solicitações educadas, os invernos rigorosos de pouca comida e quase nenhuma madeira, já que toda essa ia para os alemães e principalmente, a resistência que apoiava e auxiliava os aliados, viviam clandestinamente e se esforçavam para prejudicar e impedir os ataques germânicos.
 
Com um enredo amarrado e grandioso, elementos heterogêneos, (delicadeza, medo, poesia, violência e amizade)  porém completamente indispensáveis para que essa história se transformasse em algo tão belo e singular, "O Rouxinol" é um livro que ultrapassa expectativas (a minha pelo menos) e faz o coração bater mais forte. Os personagens são completos e em sua ficção, são tão reais que passamos a torcer e sentir por eles a cada acontecimento
Kristin Hannah nos propõe reflexões fortes sobre amizade, sobre as consequências das nossas escolhas e além de tudo, nos leva a conhecer, ainda que de modo distante, um pouco do que era aquela época e de como viviam as pessoas. Eu que já li diversos livros sobre o tema, biográficos, autobiográficos ou de ficção, creio que essa história entrou com louvor para minha lista dos melhores, afinal você tem essa certeza quando é muito difícil descrever uma história e o quanto ela é linda, tanto em meio a toda a tragédia da realidade de que ela retrata, quanto do final (triste porém repleto de realidade; trágico e ainda assim belo) que a autora nos deu, aonde torna-se possível entender melhor e admirar alguns personagens e liga as pontas que estavam soltas. É explêndido e confesso que havia água nos meus olhos quando li uma das últimas cenas.
 "- Os homens contam histórias - respondo. É a resposta mais simples para a pergunta dele. - As mulheres seguem em frente com essas histórias. Para nós foi uma guerra nas sombras. Ninguém organizou desfiles para nós quando a guerra acabou, não nos deram medalhas nem nos mencionaram nos livros de história. Fizemos o que precisávamos fazer durante a guerra, e quando tudo acabou nos recolhemos os cacos para começar a vida de novo."
Essa história (como a própria sinopse diz) é sobre as mulheres e sua força, que não era usada nos frontes e que geralmente era subestimada. É sobre as suas escolhas, força de caráter e presença de espírito. Esse livro é uma homenagem às muitas heroínas reais, conhecidas ou não e à sua coragem de fazer a diferença.
Garanto que se vocês gostam desse tema ou de um bom romance bem construído, com personagens trabalhados e trama movimentada, tem que ler "O Rouxinol", é sério... vocês não vão se arrepender! Prefiro me abster de mais descrições já que o bom mesmo é a sensação de descoberta diante de cada cena e acontecimento (e já falei demais, né?).
Achei a capa maravilhosa e preciso desse livro na minha estante! Mas não falarei do aspecto físico pois li em formato digital (e-book). 
E então, que acharam da resenha? Ficaram curiosos? E você que já leu, conta pra mim o que achou!
Beijos!
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